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Política

21/09/2020 08:59 www.rdnews.com.br

Em grampo, Romoaldo diz que Júlio mandou prender ex-secretário; Filho de Silval acusa Taques por prisão do pai

Em conversa gravada dentro de um carro no estacionamento da Assembleia, o deputado Romoaldo Júnior afirma que o ex-secretário de Estado de Administração (SAD) Pedro Elias teria sido preso “a mando” do ex-governador Júlio Campos (DEM). Em outro trecho, o empresário Rodrigo Barbosa afirma que seu pai, o ex-governador Silval Barbosa, era mantido preso por intervenção do então governador Pedro Taques e do ex-secretário de Estado de Educação Marco Marrafon.

A conversa consta nas investigações da Operação Ararath, do Ministério Público Federal (MPF), que denunciou 9 ex-deputados que aparecem em vídeo recebendo suposta propina do ex-chefe de gabinete de Silval, Silvio Correa Araújo.

Apesar de aparecer no diálogo, do qual a transcrição foi obtida pelo , falando sobre negociações envolvendo valores a serem pagos a deputados para que as contas de 2014 do ex-governador Silval Barbosa fossem aprovadas na Assembleia, Romoaldo não foi denunciado pelo MPF junto aos ex-parlamentares que aparecem em vídeos recebendo maços de dinheiro.

De acordo com o delator Sílvio Corrêa, porém, Romoaldo estaria entre os deputados que teriam recebido o mensalinho na Assembleia. Os parlamentares citados que não apareceram nos vídeos ainda são investigados. Romoaldo nega envolvimento no esquema.

O áudio foi gravado por Rodrigo Barbosa e entregue ao MPF em sua delação. Além dele e de Romoaldo, o diálogo também mostra o irmão do ex-governador, Antonio Barbosa, o “Toninho”, e o ex-deputado Wagner Ramos. A situação aconteceu em dezembro de 2015. Na época, Silval estava preso no Centro de Custódia da Capital (CCC) em meio às investigações da Operação Sodoma, do Ministério Público Estadual (MPE).

Antes da chegada de Wagner Ramos, Romoaldo, Rodrigo e Toninho conversam sobre como as investigações avançavam sobre deputados, membros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e ex-secretários de Silval, além dele próprio.

Toninho começa se referindo ao ex-secretário Pedro Elias como “aquele menino que tá preso lá”. Romoaldo o chama de “um babaca”. Eles continuam a conversa e Toninho diz que o ex-secretário “não sai hein”, se referindo às poucas chances que Pedro Elias tinha de conseguir decisão concedendo liberdade na Justiça. O ex-secretário acabou fechando acordo de colaboração premiada e foi solto.

Em seguida, Romoaldo diz: “Foi o Júlio Campos que mandou prender”. Rodrigo Barbosa se mostra confuso e pergunta de quem o deputado falava, e Romoaldo explica: “Não... esse advogado que tá preso lá... o Júlio Campos que mandou prender ele”.

Rodrigo e Toninho questionam a veracidade da informação e o deputado confirma novamente: “Foi, o Júlio que mandou ele aqui pra ver esse negócio, mandei ele pro (José) Riva eles fizeram uma maracutaia os dois juntos...”.

“Sacanagem” com Silval

Em outro trecho da conversa é a vez de Rodrigo afirmar que a manutenção da prisão de Silval foi supostamente armada pelo então governador Pedro Taques e seu ex-secretário de Estado Marco Marrofon junto ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin. Toninho chama a situação de “sacanagem”.

Ainda sem a presença de Wagner Ramos, Romoaldo, Toninho e Rodrigo continuam falando sobre negociações para aprovar as contas de Silval. O filho e o irmão de Silval começam a reclamar da “falta de compromisso” de deputados que eram aliados do ex-governador e vinham pedindo valores indevidos.

Romoaldo interrompo: “Ah, esquece cara. É por isso se o Silval abrir a boca lá para... (incompreensível)”. Rodrigo nega: “Vai abrir não”.

Toninho diz que “já devia ter feito, já devia ter soltado faz tempo” o irmão. Romoaldo questiona se algum delator não teria citado Silval, e o irmão do ex-governador diz que é “sacanagem” a manutenção da prisão dele.

“Não, sacanagem aqui tudo bem, e lá em cima? Tão trabalhando lá em cima também?”, questiona Romoaldo.

O irmão de Silval diz que um advogado esperava ele e o sobrinho depois da conversa e diz que “tão trabalhando também”, se referindo a possíveis inimigos do ex-governador.

Toninho confirma e Rodrigo elabora: “Romoaldo, o Marrafom é amigo, estudou junto de sala de aula com o Fachin... Diz que ele sai daqui pra fazer pressão no Fachin lá em cima...”. O deputado interpela: “É?”. E o filho de Silval arremata: “A mando do Pedro Taques”.

Cerca de três meses depois da conversa, o ministro do Supremo iria negar seguimento a um habeas corpus de Silval, que ficou preso preventivamente até junho de 2017, pouco depois de assinar acordo de colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR).

Citados

 tentou contato com o ex-governador Júlio Campos por telefone, mas as ligações não foram atendidas. O deputado Romoaldo Júnior também foi procurado, mas as ligações caíram na caixa de mensagens. O espaço segue aberto para manifestações. 


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